Os moliceiros que hoje se vêem rasgar as águas da Ria nem sempre foram barcos turísticos.

Em pleno século XIX faziam a apanha do moliço, o lodo existente na Ria que, depois de estendido em eiras para secar ao sol, servia de fertilizante às terras arenosas dos agricultores da região. Mas a progressiva substituição do moliço por adubos químicos fez decair a actividade ao longo do século XX.

Há algumas décadas, os antigos estaleiros da Ria de Aveiro foram reactivados para recuperar os moliceiros e as velhas técnicas artesanais de fabricação destes barcos, que passaram a ser utilizados como barcos de turismo. Esguios e coloridos, pintados na proa e na popa com desenhos tradicionais de cores garridas que invocam factos históricos ou a devoção popular, os moliceiros sulcam a Ria mostrando o outro lado da cidade de Aveiro.